
A gente nunca sabe quando chega "a hora".
A vida nos impõe esta dúvida desde que nascemos. Seria a hora certa para o primeiro beijo, para a primeira vez, para o primeiro adeus, para a primeira morte, para o primeiro nascimento...?
Então a vida passa e a gente nunca vai saber se era realmente a hora certa ou se devíamos esperar uns minutinhos, umas horinhas...
Na verdade, a vida é um eterno arriscar. Arriscamos o tempo inteiro, pois nunca temos certeza de alguma coisa.
Ontem eu tomei uma decisão, uma decisão dupla, e espero conseguir mantê-la. Afinal quando se anda junto, só existe uma forma de separar-se de vez. É a forma mais radical, mais dolorida, mais cruel, mais abrupta, mais errada ou a mais correta. O que importa é que os fins justificam os meios.
É uma felicidade dupla que está em jogo, ou talvez tripla...
E chegou "a hora" de deixar partir, de me afastar, de não atrapalhar, de não provocar.
É bem verdade que nunca sabemos quando o amor bate à nossa porta, mas não é correto atrapalhar um possível. Também não é correto se prender em alguém que coração e razão veem de forma completamente diferente.
É, realmente, a maioria das pessoas diz que sou fria e que sou mais razão do que coração. Discordo, me sinto metade de cada. E é isso justamente o que me trava, o que me atrapalha. Não sei me entregar, não sei demonstrar sentimentos, não sei dizer que amo, reluto em dizer que odeio, não sei falar de amor com quem eu gosto, não sei de quem gosto, e sou confusa, deveras confusa.
Confusão talvez case com liberdade. Afinal quem é confuso não deve se prender a ninguém, e ama a liberdade por poder ir e vir e ter suas confusões sem sofrer tanto assim.
Mas e quando chega "a hora"? E não falo de partir, e sim de ficar. Como saber?
Eu nunca soube, só soube depois que parti. Putz, isso é cruel! Depois do adeus, dizer até logo é realmente complicado. E a vergonha? Sou completamente tímida, embora as pessoas digam que não.
Sou reservada, levo meus problemas só para o travesseiro, e também só porque ele é surdo e mudo.
Não tenho certeza de que é isto que realmente quero, mas estou quase certa de que é o melhor a fazer. Já me disseram que tenho o dom de me afastar das pessoas. Não sei se é um dom, mas faço isso toda a vez que sinto que o meu lugar não é mais ali. Já me disseram que assim é mais fácil, mas quem diz isso não sabe da dor que é se afastar. Por mais que não se ame, que não se goste tanto, sempre é triste largar lembranças, deixar para trás. Não é como virar a página, é fechar o livro e guardar, não na estante, mas na gavetinha das bagunças. Afinal, talvez um dia chegue "a hora" de abrir e começar a ler, vendo com outros olhos a mesma história.
Mais dia, menos dia, voltarei aqui para escrever um talvez "arrependimento" ou talvez outro título mais positivo em relação à minha desastrosa vida amorosa, que já nem existe mais.
Não chorei, como um louco eu até sorri :)